Nada
Da vida, do elétron
Do amor, da saudade
Nada
Sem rumo, desfeito
Deserto com rubis
Aquilo que se desmancha
Coca, adidas, lula
Não sobra
Nem esperança
Nada
Poesia, charme XXI
adorei
seu
brin-
co
no-
vo
Não se sabe,
Nada!
Enquanto isso...
terça-feira, 18 de outubro de 2005
quarta-feira, 12 de outubro de 2005
Círculo

De suas entranhas
Submerso...
Das sombras estranhas
Submerso...
-Porquê?
E aquele poder se emerge
Levanta sua face, sua alma...
E de tão rígido,
Nos tempos ventos, padece.
E desce
De suas entranhas
Submerso...
Das sombras estranhas
Submerso...
E nas busca
Sinceras
Ele se revela
Te orienta
Alimenta
E no final
O círculo se fecha.
P.
segunda-feira, 10 de outubro de 2005
Sim ou não. VOTE!
domingo, 9 de outubro de 2005
Papel e caneta.
Pronto para a guerra.
sexta-feira, 7 de outubro de 2005
Amor
quarta-feira, 5 de outubro de 2005
A onça e o circo.

Um belo ritual para as lentes de quem acompanha a vida animal. Devidamente posicionado, só me faltava a câmera mesmo, foi incrível essa expressão vital, os felinos possuem uma magia encantadora, se transformam e incorporam um instinto impressionante. Não era uma perseguição simples, uma luta singela entre dois equivalentes, tratava-se da audácia de uma onça que acabara de fugir do circo do Zaqueu, isso mesmo, o felino feroz dessa vez era o perseguido. A onça Tarracha não tinha escolha, ou perseguia sua liberdade ou seria capturada pela prisão circense.
- Peeega essa rajada. Gritava Zaqueu segurando um pau na mão.
Não entendi muito bem porque esse bichano fugira, mas o Circo do Zaqueu nunca teve boa fama para tratar seus hóspedes. Eram umas gaiolas minúsculas, davam restos de comida para eles, e quando Zaqueu estava em seus dias de nervos, mais freqüentes quando não tinha um bom público, ficava cutucando com um cabo de vassoura os bichos que lhe incomodassem. Ao meu ver era um ignorante mesmo, só pensava em dinheiro e em fama. Por isso o circo levava o seu nome. Na hora dos espetáculos ele ficava dizendo umas abóboras pra platéia, era recebido em risos por lhe acharem um perfeito palhaço.
O circo era dos mais simples, dos famosos “lona furada”. Viajava muito pouco. Não tinha muito recurso pra ficar se transportando de um lugar ao outro, então quando chegava em uma cidade, ficava por lá uns cinco meses, até o povo todo enjoar e o Zaqueu parar de ganhar dinheiro. Eles então juntavam a tralha e iam para uma cidade vizinha. Mas Zaqueu já não tinha muita escolha, ficou muito tempo visitando apenas três cidades e o público delas nem agüentava mais ouvir aquele fusca passando e anunciando: “Circo do Zaqueu, o melhor do Maranhão! Venham conhecer a mulher barbada, o globo da morte, e a onnnnça Tarracha: a rainha do fogo”.
Esse circo do Zaqueu devia ter uns vinte funcionários e quatro animais, ou melhor, três animais: uma onça, um mico e um cavalo. O quarto era um chimpanzé, mas morreu com o estômago perfurado por um osso de galinha na sua última passagem aqui em Anajatuba. Todo mundo era artista e empregado ao mesmo tempo. Quando obrigaram a onça a se exibir todos se concentraram no seu número, era estréia, iria pular seis arcos em chamas, um a mais que o normal, uma grande conquista. Mas nesse momento ela acabara de arriscar a sua vida para conquistar um pouco de ar fresco. Ou quem sabe ser morta para se livrar do seu dono.
- Respeitável público, direto da Amazônia, audaz, destemida, a onnnnça Tar-ra-cha, a rainha do fogo! Gritava Zaqueu empolgado.
O público fingia seus delírios, quantos ali já viram uma onça de tão perto? Ainda mais pulando em meio ao fogo. Foi quando a felídea entrou correndo ao lado de Tobias, seu amestrador, talvez o único humano ali que ela tinha alguma afinidade, e foi saltando, arco a arco, sem erros, o bicho realmente dominava seu medo de fogo. A cada pulo era um grito de satisfação da platéia e também de Zaqueu, que se exaltava diante dessa maravilha da natureza. Tarracha demonstrava um excesso de disposição em seus saltos, em vista das apresentações anteriores, parecia mesmo ter planejado que aquele dia era o grande dia, e com isso Zaqueu e todo o circo estremeciam com o seu show, o que eles não sabiam é que o sexto arco já não era limite para sua audácia. Após saltar em meio ás chamas, alguns arcos parcialmente em chamas, ela continuou sua exibição, mas agora para o público externo.
Embaixo da lona tinha o picadeiro, o globo da morte e as arquibancadas, com capacidade para umas cento e cinqüenta pessoas, atrás do picadeiro eram os camarins. Tinham também uns objetos estranhos usados pelos palhaços: caixas, um martelo gigante, uma máquina de lavar, e uns bonecos de pano. Eu não gostava desse circo por causa da ignorância do Zaqueu e por não existir trapezista. Onde já se viu?
Nesse dia eu estava de fora, mas como já vira a apresentação antes eu sabia exatamente o que se passava lá dentro, dava pra sacar direitinho só pela narração de Zaqueu e os gritos da platéia. O circo ficava em um lote ao lado de um campo de futebol de terra batida, que era cercado por uma mata, meio rala, mas podia sim ser chamada de mata. Sua frente e um dos seus lados tinham ruas, também de terra. Os pés de Babaçu eram os que mais se destacavam na mata que cercava o circo e o campo, alguns tinham cerca de quinze metros. Deviam ser umas nove da noite, eu estava na diagonal, dava pra ver a entrada principal e também um dos lados, se é que algo redondo tem lados. Do outro lado da rua, esperava por um amigo em um trailer tomando uma cerveja quando ouvi o grito:
- Ela está fugindooo! Amestrador idiota!
Quando olho para o circo, em uma vala debaixo da lona, como se fosse um buraco, um espaço muito pequeno, a onça estava acabando de se espremer e travar uma corrida ultraveloz em direção à mata, os felinos passam em qualquer lugar, são muito flexíveis. Não acreditei na acelerada que deu sobre o campo de futebol, parecia haver um imã entre ela e a natureza. Não teria chita asiática capaz de correr mais que a Tarracha naquele instante, de dentro do circo vinha um grande rumor sobre o que acabara de acontecer.
O primeiro a sair foi o Tobias, quando ele apontou na porta do circo e conseguiu um ângulo para ver o animal, se espantou com a velocidade que a onça corria, estava próxima já à outra lateral do campo e prestes a penetrar para sempre na mata. De onde nunca devia ter saído. Com certeza ele já havia se convencido que nunca mais viria sua amiga Tarracha, percebia-se algo estranho em seu comportamento, era um feliz medroso. Tobias era a favor da liberdade dos animais mas temia sobre a atitude que Zaqueu poderia tomar.
A onça já havia sumido mata adentro quando chegou Zaqueu com seu pau na mão, totalmente alterado diante do que acontecera. Tobias fingia uma preocupação, mas no fundo dava gargalhadas da cara do patrão. Por pressão tinha montado na bicicleta e disparado atrás da fugitiva, mas sem o mínimo de esperança de recupera-la, parecia até que ele havia instruído a bichana para fugir. Zaqueu desesperadamente chamou três de seus funcionários, entraram no fusca e foram atrás de Tarracha, mas com certeza era tarde demais. A essa altura grande parte da platéia já havia saído, alguns reclamavam querendo o dinheiro de volta, outros foram para suas casas sabiam que o espetáculo não continuaria mais.
Foi o fim de um espetáculo e o início de outro, Tarracha se exibia no sistema circense, estava sujeita a ordens, disciplinas, arcos de fogo, e, apesar de ser destaque, se limitava a ser um destaque, não era uma onça. Depois passou a se exibir ao universo, livre, desprovida de patrões, descansando sobre si, apesar dos vícios anteriores, ela se reencontrou.
O circo se fechou.
P.
Século XXI

Esqueça tudo de antes
Vá curtir a internet
E sair com a amante.
Ver o cinema transmitir
Mais uma morte na Etiópia
E um colar de diamantes.
Essa geração cool
Me deixa tão empolgado
Acorde e levante.
Domingo é dia de bola
Segunda mensalão
Mais uma morte na Etiópia
A modernidade é fabulosa
Sou uma rede holística
Olhe a vida e cante.
Mas só não lembre
Que acabamos de ganhar
Mais uma morte na Etiópia
Seu eu não sinto medo
Fico tranqüilo
Sei que é temporário.
Então eu relacho
Acendo um Mallboro
E assisto o Live8.
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá
Os homens que aqui morrem
Não são homens por lá.
Sou um péssimo poeta
Por não saber rimar.
Seus Filhos da Puta.
P.
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